sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O fim está próximo.

Infelizmente, deixei de ser hipócrita e acreditar na salvação da sociedade braisleira. Essa salvação não se trata de algo espiritual ou um bom lugar ao lado de Deus, mas a salvação de nossas vidas e valores como cidadãos do nosso país. Assim como o profeta da foto ao lado, eu vos digo: o fim está próximo.

Sempre expressei minhas ideias de uma forma que pudesse agregar algo de forma democrática aos membros da sociedade, porém, esses se tornaram seguidores de ideias realmente absurdas e egoístas, ao ponto de não serem flexíveis. Pois é, minhas palavras podem não fazer a diferença, mas para eu acreditar que não é mais válido nem ao menos dividir, é porque o fim realmente está próximo e eu não quero fazer parte dele.

Eu não estou louco e, por isso, vou dividir alguns simples fatos que suportam esse sentimento.

Recebi um e-mail solicitando ajuda de fim de ano para um abrigo para cães. A partir do momento que as pessoas ficam em dúvida entre doar algo para cães ou pessoas, uma sábia conclusão pode ser extraída: nem a racionalidade nos diferencia mais dos caninos. Não sou contra ajudar animais, mas se eu expressar minha indignação pela solicitação de ajuda para os caninos, serei crucificado pela sociedade, ouvindo frases como "animais também são gente", "você não tem coração", "desalmado", "como você é ridículo", entre outras. Estou errado em pensar que os seres humanos ainda estão em primeiro lugar?

Durante essa semana, acompanhei uma notícia sobre as intensas chuvas na Colômbia. Um leitor infeliz teve a coragem de postar um comentário dizendo que esse país deveria ser eliminado pelos EUA devido ao mal que eles proporcionam ao mundo com relação a produção de drogas. Como alguém consegue pensar isso? Eu tenho amigos colombianos que conheci nos EUA enquanto estudava lá e, para a surpresa de muitos, eles queriam voltar para sua terra natal para ajudar no crescimento do país. O que mais me deixa indignado é tal comentário ser apoiado por muitos leitores.

Acredito que todos acompanharam o ataque homofóbico por parte de alguns jovems na Avenida Paulista. Qualquer pessoa ficou indignado com a atitude desse grupo e, após ser postado um vídeo em que foi gravado o momento do ataque, um comentário de outro leitor é votado como o mais inteligente. Tal leitor diz que tal fato não pode ter ocorrido em São Paulo, lugar de primeiro mundo (nas palavras dele), e passa a defender que tal violência se deu em decorrência do governo do PSDB no Estado. Pergunto: tal comentário é oportuno? Para a maior parte da sociedade brasileira sim, afinal, é bacana ver o circo pegar fogo, mas como diz Renato Russo, nessa hora "somos os animais na jaula, mas você só quer algodão doce".

Bom, não vou relatar todos os casos que em uma semana me fizeram concluir que o fim do mundo está próximo, mas vou me dar a liberdade de comentar apenas mais um fato. Ahmadinejad disse que os EUA não têm moral para criticar o caso de Sakineh, já que também executam mulheres em seus corredores da morte. O comentário mais votado pela sociedade como genial foi o seguinte: 

"O líder iraniano disse uma daquelas poucas verdades incontestáveis e doloridas...

Inobstante isso, os eleitores do Zé Pedágio vão continuar chamando-o de louco, ditador, etc.

E vão continuar tendo o Bush e os demais representantes do Eixo do Mal (sinonistas, inglesses e estadunidenses) como verdadeiros paradigmas do bem e da democracia mundial.

Isso prova que quem nasce pra comer capim jamais comerá caviar!"

Tenho amigos amigos iranianos e sei o quanto estão sofrendo nas mãos do ilegítimo presidente do Irã, pois como poucos sabem, as eleições foram fraudadas. Agora, tem como alguém associar um fato tão delicado como o de Sakineh aos eleitores de José Serra? Uma mulher está prestes a morrer enforcada por um crime sem provas e alguém vem dizer sobre verdades incontestáveis e doloridas? Pois é, surpreendente que pessoas com total acesso a mídia ainda se mantém dentro de bolhas e fazem parte da massa que, como eu afirmei acima, querem que o circo pegue fogo.

Mesmo diante dessas barbaridades, não me assusto com tais comentários quando o presidente eleito pela sociedade brasileira diz: "muita gente que passou pela presidência diz: como é que eu não pude fazer o que ele fez". Ou seja, o exemplo do ridículo vem de cima.

Por muitas vezes pensei em postar comentários sobre a tamanha imbecilidade de grande parte da sociedade brasileira, tentando dividir fatos e verdades para uma melhor análise por parte deles, mas se Jesus que era filho de Deus foi para a cruz por querer o bem, imaginem o que será feito de mim, um simples ser humano.

Aos poucos, as sábias vozes estão se calando para não gerar mais labaredas no circo e, infelizmente, estão se retirando do espetáculo para assistir ao fim do lado de fora. Eu me retiro e peço para que o último que for sair, feche a porta para não poupar nenhum imbecil.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ônibus 174 = Brasil

Assistindo o filme "Última Parada 174", do diretor Bruno Barreto (confira sobre o filme no blog parceiro Sessões de Cinema), cheguei à uma conclusão simples: o ônibus 174 é o Brasil.

Um resumo simples sobre o enredo do filme: Sandro Barbosa do Nascimento, morador de favela carioca, encontra conforto no mundo das drogas, sobrevive a chacina da Candelária, é preso, é assaltante, é alguém tentando mudar, mas a vida lhe dá as costas e, quando menos espera, está apontando uma arma para a cabeça de inocentes dentro do ônibus 174. Seu fim: assassino morto famoso no mundo inteiro.

Lembro-me do dia em que acompanhei na televisão o caso do ônibus 174, afinal, difícil esquecer o seu fim trágico. Porém, a identidade de Sandro nunca foi do meu conhecimento, até assistir o referido filme.

Claramente, a sociedade brasileira entendeu o enredo cinematográfico como a humanização de um monstro ou, até mesmo, a beatificação de um demônio. Porém, concluir dessa forma é não enxergar a realidade brasileira.

Quantos Sandros existem no Brasil? Talvez essa pergunta ainda lhe pareça uma desculpa para continuar dando razão para o "monstro". Sendo assim, vamos inverter os papéis: quantas Geísas existem no Brasil? Para quem não sabe, Geísa Firmo Gonçalves foi a mulher que morreu pelas balas disparadas por Sandro quando a polícia tentou alvejá-lo.

Geísa, como muitos brasileiros, foi vítima de uma violência sem limites que aumenta a cada dia no Brasil. Seu medo se tornou real naquele dia, medo que é encarado diariamente por muitas pessoas. Sua família derramou lágrimas pelo mesmo motivo que muitos brasileiros derramam todos os dias. Sua morte foi apenas mais uma no rol de assassinatos que revoltam a população pela falta de segurança.

E Sandro, era somente um assassino? Não. Sandro era mais um brasileiro que cresceu no meio da pobreza e foi vítima do tráfico. Esse mesmo tráfico fez com que Sandro não fosse para a escola e vivesse nas ruas sem ter o que comer. Sua fome e seu vício resultaram em sua conduta ilícita. Sandro não era mais cidadão, mas sim uma pobre alma lutando para sobreviver.

Afinal, quem é culpado pela morte de Sandro e Geísa? Certamente, não é a infelicidade do destino escrito em linhas tortas, mas sim o Estado que permanece inerte diante do tráfico de drogas, que recruta jovens para viciar o país. Como se não bastasse esse problema, a miséria e o medo que a população sente tanto de polícia quanto de bandido, agravam essa situação.

Quantos Sandros e Geísas ainda serão necessários para uma mudança?

Atualmente, o Brasil está vivendo um ciclo vicioso enraizado, assim como o ônibus 174 que tinha seu itinerário percorrido repetidas vezes. Da mesma forma que o Brasil muda de políticos no poder para mudar e tentar esquecer o passado, o ônibus 174 também mudou seu número de identificação para 158, porém, assim como a política, o itinerário não mudou, continua exatamente o mesmo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

E agora Dilma, como mulher, vai manter relações com Ahmadinejad?


Para aqueles que não se lembram ou até mesmo não conhecem a mulher ao lado da nova presidente do Brasil, Dilma Roussef, é a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, condenada primeiramente por adultério (pena esta que tem como punição o apedrejamento) e, posteriormente, por adultério, crime este com pena de morte por enforcamento.

Atualmente, a iraniana permanece aguardando o cumprimento de sua pena de morte, a qual foi cancelada na quarta-feira passada e ainda não tem nova data marcada pelo governo do Irã. Além disso, ninguém tem conhecimento sobre o paradeiro de seu filho, Sajjad, e o seu advogado, Javid Houtan Kian, está preso por motivos desconhecidos.

Como todos sabem, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad se tornou um dos melhores amigos do atual presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, o que resultou em diversos acordos comerciais e trocas de elogios entre eles. O que Lula esqueceu é que seu grande amigo iraniano nunca foi eleito para presidente, sendo resultado de um dos maiores crimes contra a democracia na história do Irã. Até hoje, a população iraniana segue indignada e sofrendo nas mãos de um ditador religioso que semeia o mal no Oriente Médio.

Agora, Dilma ganhou força como sendo a primeira mulher presidente do Brasil e chegou até a ser considerada a 16a. pessoa mais poderosa do mundo segundo a revista americana Forbes. 

A pergunta que não quer calar é: Dilma, como mulher, você permitirá a execução de Sakineh pelo governo do amigo de seu padrinho político Lula?

Em entrevista recente, Dilma afirmou que não pode interferir no caso e que considera bárbara a execução de Sakineh. O que é isso companheira do presidente Lula? Você pode sim interferir, começando por embargos ao governo de Ahmadinejad que não é legítimo. Esses embargos que defendo não são apenas em repúdio a execução da iraniana, mas sim em repúdio ao governo dele que é um crime contra a democracia.

Em seu discurso de posse, Dilma disse: "Meu compromisso com o país: valorizar a democracia em toda a sua dimensão". Sendo assim, deixo aqui o desafio para ela demonstrar que sabe o que é democracia e que os seus pilares devem ser respeitados e sempre defendidos.

sábado, 23 de outubro de 2010

A volta.

Parece que foi ontem que deixei essa terra que "tem palmeiras, onde canta o sabiá". Lá, eu descobri que "as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá".

Foram 9 meses distante de tudo e de todos, vivendo com gente estranha em festas esquisitas, casas ocas com som de outras línguas, estudando o mesmo em um lugar diferente, aprendendo sobre o tempo e a saudades, colecionando figurinhas e ansiedades.

Foi preciso ir longe também para descobrir que o amor pode falar outro idioma e transformar a sua vida em uma história romântica. O amor que fala a mesma língua é fácil, aquele que é falado pelo coração que é real.

Olhar nos olhos dos amigos que parecem estranhos e perceber que seus pais envelheceram é triste, mas o trás ao real, ao chão que você costumava pisar e dizer bom dia pessoalmente, e não por e-mail ou modernas conexões.

Tudo é diferente, até a formiga que cruza o seu caminho numa tarde de garoa em São Paulo.

Mas nem tudo mudou...

O brasileiro continua sorrindo da desgraça em que vive, vendo corrupções e mortes nas filas de hospitais.  Nunca se nasceu tanto, mas também nunca se matou tanto. Os olhos voltaram a arder devido a nuvem cinza, e o corpo não pode mais correr porque os carros e as ruas não permitem. Assaltos, roubos, estupros, descaso, drogas, fome, violência, política... e para piorar, o jeitinho brasileiro.

Eu poderia ver tudo isso e dar as costas, mas eu sempre disse lá fora que sentia saudades do meu Brasil. Porém, agora que estou aqui, ainda sinto saudades do meu Brasil, aquele que já foi mais verde, mais educado, mais justo, com mais futebol e samba, com as fogueiras de São João, com mulher recebendo rosa e homem tirando o chapéu na hora da refeição, com programa de televisão divertido e não com prostituição...

Não falo de um Brasil retrógrado, somente defendo um Brasil mais brasileiro com dono: o cidadão brasileiro. 

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Que tal extinguir o serviço militar obrigatório?


Sempre fui contra o serviço militar obrigatório porque este priva muitos jovens de darem continuidade nos seus estudos. Seria possível substituir esse serviço por algo mais produtivo?

O mundo fala muito sobre desarmamento, paz mundial, não proliferação de armas nucleares, entre outras atividades bélicas, porém, pouco se faz para tanto. Assim como no Brasil, a maioria das nações recrutam seus jovens aos 18 anos (isso quando não são recrutados antes, como ocorre em muitos países da África), para prestarem o serviço obrigatório. Todos nós sabemos que no Brasil o excesso de contingente é praticamente 99,99%, mas não é assim que funciona em países como Turquia, Irã, Chile, entre outros, onde 100% veste a farda e dá o seu primeiro tiro.

Se esses jovens não fossem para o exército, o que poderia ser feito? Muito simples: serviços sociais obrigatórios. Mas como funcionaria?

Ao invés de ter despesas com armas, fardas, alimentação e salários, o dinheiro poderia ser gasto com o deslocamento desses jovens para regiões pobres de seus países, onde poderiam atuar em nome do governo para ajudar as populações carentes. Além disso, o serviço obrigatório poderia ter seu tempo menor que o desprendido no exército, já que um simples ato de solidariedade é capaz de enobrecer o "jovem" homem.

Enquanto forçarmos os jovens a vestirem fardas e a aprenderem a atirar, daremos continuidade ao ideal de protegermos nossa nação de guerras, deixando de lado a opção de ensiná-los algo produtivo e que pode fazer a diferença em suas vidas. 

Quantas pessoas esses jovens poderiam ajudar? Com certeza muito mais do que os seus rifles podem matar.